quarta-feira, 17 de julho de 2013

Infância vs Adolescência

Por vezes dou por mim na rua, a olhar para aquelas pequenas pessoas, a que chamamos crianças.
Lembro-me da altura que tinha 4/5 anos, e ia com a minha mãe levar a minha irmã à escola primária e dizia : "Mãe, também quero ir para a escola", lembro-me de passar os dias com a minha mãe, principalmente no trabalho dela, com todas aquelas pessoas que me acolhiam de uma forma extraordinária.
Recordo-me das brigas que tinha em casa com a minha irmã mais velha, mas que no momento a seguir já estávamos sentadas no sofá a comer do mesmo prato ou a brincar com os mesmo bonecos, recordo-me de todas as vezes que ao fim da tarde vinha para a rua brincar com as crianças aqui do bairro, da barulheira que fazíamos, dos sorriso que partilhávamos, das gargalhadas soltas, dos joelhos esmurrados das quedas e principalmente dos jogos que todos juntos íamos alterando ou inventando.
Quando entrei para a primária, tudo era novo e diferente para mim, fazia-me uma grande diferença o facto de estar habituada a estar rodeada de adultos, colegas de trabalho dos meus pais, e a partir daquele momento, estaria em convívio com crianças da minha idade, e para me habituar foi um bocado complicado.. Nas primeiras semanas ficava na escola a chorar, não queria largar a minha mãe, e quase todos os dias à hora de almoço ligavam-lhe porque eu não comia sem ela junto a mim, estava mesmo muito agarrada à minha mãe.
Mas tudo acabou por melhorar, eu habituei-me a tudo aquilo, e por vezes ponho-me a pensar em todas as parvoíces que fazia no intervalo com os meus amigos, das cantorias num dos lados do pavilhão, das corridas pela escola, das brigas (sim, porque sempre andei metida em porrada xD), das danças que inventávamos, das amizades que fui criando... Foram anos excelentes, momentos perfeitos e memórias que jamais esquecerei.
Naquela altura tudo era fácil, a única preocupação era fazer os TPC porque senão levávamos um amarelo, ou um vermelho, na caderneta, só tinha de me portar bem dentro da sala de aula e acima de tudo, tinha muito que me divertir, pois não haviam complicações, confusões, e responsabilidades, praticamente nenhumas.
Os anos foram passando, e aqueles sonhos de menina foram morrendo, foram substituídos por outros, menos um.. ser modelo.
Quando entrei para o 2º ciclo, levava comigo imensas amizades da primárias, amizades essas que se foram perdendo no tempo, que começaram a ser apagadas como aqueles erros que dás a escrever, outras ficaram guardadas no peito, mesmo que hoje não fale com as pessoas.. mas como dizia, quando entrei para o 5º ano, foi outra grande mudança na minha vida.. escola nova, professores novos, colegas novos .. mas com facilidade me habituei a tudo aquilo, comecei a criar amizades noutras turmas, a falar com imensa gente e isso sempre me fez sentir muito bem.
Mas a infância começou a ser deixada para trás, principalmente a partir do 7º ano, quando comecei a ter consciência de outras coisas, de outros assuntos, de outros sentimentos .. Foi nesse ano que soube o que era estar com um namorado diariamente, estar com ele a cada intervalo, a cada furo, a cada momento.
A adolescência, como muitos dizem, é das fases mais complicadas por que se passa, é a transição de menina para mulher, o momento em que crescemos mais, em que nos tornamos adultos, não só em corpo ou idade, mas principalmente em mentalidade.
 Eu fui crescendo, umas vezes por obrigação da vida, por coisas que passei desde muito cedo e tornei-me na pessoa que sou hoje mesmo devido a isso tudo, por ter ultrapassado coisas que dizia não conseguir, por me ter tornado forte a cada tombo, por me ter empenhado a ser melhor e a erguer-me, muitas vezes sozinha.
Agora, eu vejo o mundo de outra forma, observo as coisas com os chamados "olhos de ver", na maioria das vezes, penso antes de agir, mas como todos, também ajo sem pensar algumas vezes, também me atiro de cabeça em várias situações, das quais mais tarde me arrependo.
Mas a vida é mesmo assim, temos de deixar as crianças que um dia fomos para trás, passarmos pelos adolescentes que somos hoje, para que um dia consigamos ser homens/mulheres, e que tenhamos orgulho em ser quem e como somos e acima de tudo saber que aquelas crianças que fomos, teriam orgulho nos adultos que nos tornaremos.

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